As vantagens e armadilhas das ideias inovadoras 1

As vantagens e armadilhas das ideias inovadoras

Empresas inovadoras incentivam rotineiramente os seus funcionários a gerarem ideias para produtos e processos. Na Toyota, por exemplo, os funcionários enviam mais de 700.000 ideias inovadoras para melhoria de processos todos os anos.

Um operador de máquina pode propor uma modificação de ferramenta que ajudaria a aumentar a taxa de produção, ou um motorista de empilhadeira pode sugerir que o empilhamento de contêineres de uma maneira diferente melhorará o resultado final do trabalho.

Ao avaliar ideias como essas, no entanto, as empresas geralmente confiam na experiência da pessoa que as está apresentando.

Isso, por si só, não é uma coisa ruim. O problema é que os funcionários podem exagerar ou subestimar suas sugestões inovadoras, levando a empresa a deixar passar boas ideias enquanto investe nas ruins. 

Para entender exatamente o motivo pelo qual isso acontece, um estudo analisou uma grande amostra de ideias para inovação de processos em uma fabricante de automóveis da Europa. 

Sendo assim, a primeira e talvez a mais previsível descoberta foi que a supervalorização de ideias é um problema maior do que a subvalorização. Falando em dados, 74% das ideias eram supervalorizadas, enquanto 20% eram subvalorizadas. As 6% restantes foram as avaliadas de forma sensata.

Dois fatores geram esse excesso de confiança por parte dos funcionários idealizadores, são eles: status e números. Entenda melhor sobre esses fatores abaixo.

Status

Outros dados da mesma pesquisa mostram que as ideias dos gestores estão, geralmente, supervalorizadas, em média 42%, enquanto as dos trabalhadores comuns são, em média, ligeiramente subavaliadas (em 11%). 

É compreensível que instintivamente uma ideia seja supervalorizada quando submetida por um gerente, e não por “qualquer” trabalhador. 

A pesquisa, portanto, sugeriu que esse efeito está relacionado ao papel e à identidade social do idealizador dentro da empresa ao gerar essa ideia com sugestão.

Números

Em uma descoberta mais surpreendente, os dados da pesquisa mostraram que o perfil das pessoas que supervalorizam suas ideias na organização é 37% mais forte entre os funcionários que geram ideias em grupos, em comparação com os funcionários individualistas.

Os colaboradores que trabalham sozinhos supervalorizaram suas ideias, em média, apenas em 4%. Já quando estão em equipe, essa porcentagem sobe para 41%. A supervalorização das ideias em grupo acontece porque os participantes de um grupo não apenas desenvolvem laços fortes com a ideia, mas também com os outros membros.

Sendo assim, esse “sentimento de nós”, torna-se problemático para a avaliação sensata de novas ideias. As pessoas acabam se tornando parciais por conta dos laços criados.

Mas, então, o que essas descobertas identificas ao longo da pesquisa sugerem?

Resultados da pesquisa

No fundo, todos os participantes da pesquisa já sabiam que confiar apenas na genialidade do chefe era uma estratégia arriscada. Mas, também houve boas notícias: foi possível perceber que a supervalorização se torna menos provável se os idealizadores se distanciarem do processo.

Assim, peça a seus idealizadores que avaliem suas ideias novamente após um intervalo de tempo (a partir do momento em que ela foi gerada) e em um local diferente do ambiente de trabalho.

Além disso, é necessário olhar de forma mais crítica as ideias lançadas por gerentes ou equipes. 

Por outro lado, seja um pouco mais compreensivo ao avaliar as ideias inovadoras dos funcionários “comuns”, abaixo da gerência. Afinal de contas, elas também fazem toda a diferença dentro do negócio.

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